2 de mai. de 2009
Entrevista ao Roda Viva
Link com a entrevista transcrita e um trecho em vídeo.
http://www.rodaviva.fapesp.br/materia/66/entrevistados/jorge_ben_jor_1995.htm
14 de jan. de 2008
Em detalhes
Roberto Carlos em detalhes, a biografia escrita por Paulo César Araújo e proibida pelo Rei caiu na rede como todos sabem. O livro traz várias citações sobre o artista e a carreira de Jorge Ben. Basta procurar pelo seu nome no conteúdo do .pdf.Além disto curiosidades de outros artistas que surgiram na mesma cena carioca: Tim Maia, Erasmo, Simonal, etc.
Vejam um trecho abaixo:
E foi no programa Jovem Guarda que Jorge Ben começou a renascer e eletrificar sua música. "Ali eu me senti no meu mundo. Podia tocar minha guitarra em pé, e não apenas um violão sentado num banquinho como na bossa nova". No programa ele ganhou o apelido de Bidu - que deu título ao seu primeiro álbum dessa nova fase de sua carreira. Acompanhado pela banda The Fevers, Jorge Ben imprimiu ao disco a linha "jovem-samba", uma síntese entre iê-iê-iê e MPB.
Fonte: www.portaldetonando.com.br
Outras passagens são contadas no livro do Nelson Motta sobre Tim Maia: Vale Tudo - O som e a fúria de Tim Maia. Vale apena conferir.
20 de dez. de 2007
Jorge Ben e a sua Tábua de Esmeralda
Disco - Jorge Ben e a sua Tábua de Esmeralda
Poucos são os artistas que conseguiram não se filiar a nenhuma corrente na música popular e deixar que as correntes da MPB se filiassem a eles. A opinião é do crítico Roberto Moura e mostra de uma forma simples toda a dimensão e integridade que Jorge Ben conseguiu no seu trabalho. O autor de CHOVE CHUVA e MAS QUE NADA evoluiu como poucos e conseguiu manter as mesmas bases, o mesmo "feeling" do início de carreira. Com seu ritmo bem brasileiro, as letras simples, um jeito de cantar que misturava o alegre e o triste, ele observou o que se fazia no Brasil e no Exterior, dedicando músicas tanto a Caetano Veloso (MANO CAETANO), como ao cantor de blues americano TAJ MAHAL. O seu trabalho motivou verdadeiras homenagens que partiram de Gilberto Gil, Caetano Veloso e agora Chico Buarque de Holanda (JORGE MARAVILHA), mostrando que Jorge é acessível e admirado por diversos tipos de público.
Depois da coletânea DEZ ANOS DEPOIS, Jorge iniciou uma nova fase que ele chama de alquimia musical. Considerando-se um novo adepto da alquimia, ele diz o que norteou a criação no seu último LP A TÁBUA DE ESMERALDA: "A maioria das músicas são alquímicas, mas sempre pela filosofia musical. Eu pretendo que a minha música traga paz de espírito e tranqüilidade para quem a escuta". O ritmo continua sendo aquele já conhecido de todos nós, só que com algumas alterações nas divisões para acompanhar as extensas letras retiradas de grandes textos alquímicos. Os arranjos tem efeitos espaciais complementando o clima cósmico de muitas das músicas, especialmente em ERRARE HUMANUM EST, onde, segundo Jorge, "procuro mostrar se eram os deuses astronautas ou não. É quase uma mecânica celeste". Toda a apresentação gráfica do disco acompanha os motivos principais das músicas, e foi nas figuras que Nicolas Flamel encontrou em um livro da Abrahão que foi baseada na capa do LP. Esta nova face do trabalho de Jorge Ben remete às coisas celestes, mas não esquece as coisas simples. Em EU VOU TORCER fala da paz, da alegria, do amor, do inverno, do verão, da agricultura celeste e do maior teólogo cristão, no entender de Jorge: Santo Thomas de Aquino. "Parto das coisas mais sérias até às mais simples, como o meu time de futebol, porque todas elas tem muita importância e motivo de existirem", complementa Jorge. Uma estranha parceria se estabelece na faixa HERMES TRISMEGISTO E SUA CELESTE TÁBUA DE ESMERALDA, Jorge Ben e o faraó egípcio Hermes Trismegisto, que teve os seus textos traduzidos pelo alquimista contemporâneo FULCANELLI. Hermes era chamado de "TRÊS VEZES O GRANDE" e seus escritos foram encontrados pelos soldados de Alexandre da Macedônia na Pirâmide de Gize, grifados com uma ponta de diamante numa lâmina de esmeralda. Várias traduções foram feitas sobre este tratado, e a de FULCANELLI foi considerada a melhor delas, e entre os vários idiomas em que pode ser encontrado o texto, está o português arcaico, que é a utilizada por Jorge Ben. Aliás, ele procurou fazer poucas variações para não tirar a beleza do texto, e conclui: "Tenho muito respeito e admiração pelo trabalho de um alquimista, pois ele dedica toda a sua vida a estudar e procurar com uma fé e perseverança não comparável a coisa alguma. Desde o LP BEN ROSAS ERAM TODAS AMARELAS já há o reflexo do estudo e da tentativa de aplicar tudo isto à minha música. Pessoalmente houve uma grande mudança em minha vida e eu me sinto profundamente satisfeito comigo mesmo. Os textos alquímicos são complicadíssimos, mas eu os vou interpretando de acordo com a minha compreensão, sentimento e bem estar".
Na faixa O HOMEM DA GRAVATA FLORIDA, Jorge homenageia Paracelso, um grande alquimista, e em ESTÃO CHEGANDO OS ALQUIMISTAS, a dedicatória é para todos os filósofos herméticos. O trabalho vai continuar e outras músicas já estão sendo preparadas para receber textos alquímicos, e entre eles há uma oração de Nicolas Flamel onde ele pede a Deus para não perder a fé e a força na sua vida de pesquisas. Mas isso fica para outro disco onde Jorge Ben explorará mais o caminho aberto pelos alquimistas na sua vida.
Fonte: Tablóide Digital
19 de set. de 2007
Voa Jorge voa.
www.assuntei.blogspot.com
Jorge Meneses deixou sua viola de lado, e a "cultaiada" não quis mais saber dele, e os novos cults quiseram saber tempos depois, descobrindo o tão aclamado "A Tábua de esmeralda", porém pouco se fala da carreira e da influência que o bandleader da Banda do Zé Pretinho exerceu na música negra brasileira.
A África temática sempre presente na carreira de Jorge Ben foi alinhada com samba e um toque de seu grande ídolo João Gilberto, o jeitinho de se expressar ímpar, culminava com sua forma moderna de tocar violão, a musicalidade era tão difícil de ser definida que seus primeiros discos foram gravados com um grupo de Jazz, Meirelles e os Copa 5.
E logo então "Mas que nada" virou hit, rapidamente Jorge Ben era presença constante em festivais de música da época, sua batida de violão marcante dizia a quê ele vinha, o som cheio de suingue e balanço, caracterizavam um instrumentista diferente, cronologicamente o início dos anos 60 foi marcado por seu estilo MPB fora do comum, até a entrada para um tipo de música indefinível, olhos de fã à parte, vejo até rock em alguns discos, e isso se estende até meados dos anos 70, quando no Disco África Brasil ele troca o violão pela guitarra, daí vem aquela pergunta que martela na cabeça de críticos, porque ele fez isso?
Talvez pela tendência pelo desconhecido que sempre foi recorrente em sua carreira, alguém que buscava sempre o novo, julgá-lo por isso? Não. Deixar de gostar por isso? Também não. E ele não se saiu mal em sua mudança brusca, a essência africana permanecia, vide "Cavaleiro do cavalo imaculado", do próprio disco anteriormente citado, vejo que a crítica o enxergava como o menino Jorge que sussurrava bonito e arranjava como ninguém, sua genialidade foi colocada à prova, seria ele tão bom com a guitarra assim?
Não, não seria, mas era genial ainda, era nítido que pro contexto popular a relevância dos seus acordes ficou em segundo plano, vinda a incompreensão, ele foi balançar a galera também fora do país, "soltando o pavão" na gringa, metalizando seu som e abrindo mais a boca para cantar
W/Brasil chegou com os anos 90, e o povo abraçou, evidenciando jabá da mídia ou não, estava lá o Babulina cantando para quem sempre o ouviu, o povo, o povo que sofreu mutações musicais e culturais, mas quem se moldou ao tempo foi o gênio, e a essência continua, favela, morro, e a música que rola lá, Spyro Gyro e W/Brasil talvez não sejam tão tocantes nos quesitos criação e inspiração, mas igualmente faziam balançar um bocado de gente, antes falava do Flamengo e era o malandro da Tereza, depois veio o funk e o surfista de trem, bancou o preço de mudar tanto de lado, mas sempre produzindo algo sincero, e como diversos bons artistas brazucas, é mais reconhecido fora de sua pátria.
Intriga-me bastante o questionamento imposto por alguns a respeito de sua mudança, ainda que eu goste de ficar abismado ouvindo a pancadaria do disco "O Bidú - Silêncio No Brooklin (1967)", tento enxergar de outra forma as diversas retomadas artísticas, acredito num processo completamente pessoal e tendencioso, que ele, Jorge, tenta chegar próximo da massa sempre, seja o instrumento, voz ou nome mencionado.
Salve Jorge Ben, salve simpatia, Salve Ben Jor.
12 de jun. de 2007
O “efeito fênix”
Com 44 anos de estrada, Jorge Ben Jor divide-se entre o culto à originalidade da obra que criou e o desgaste de fórmulas
Jorge Ben Jor, 65 anos, debate-se no palco da Casa Fasano. O objetivo é entreter uma platéia composta majoritariamente de espectadores de terno e gravata, num show fechado exclusivamente para clientes da Terco Grant Thornton. Até mesmo a assessora de imprensa da empresa de auditoria e consultoria estranha a escalação e palpita que um show de bossa nova combinaria bem mais com o público em questão.
Na madrugada, depois de extrair dos engravatados algum nível de animação, Jorge comenta a apresentação: “Está todo mundo ali, diretor, presidente da companhia. O pessoal fica comportado, até para dançar”. Diz que a inibição alheia não o inibe: “Não faz diferença. A gente toca porque tem de tocar. Isso é que é a prova dos noves, fazer esse público gostar da sua música e dançar”. O presidente da empresa e a esposa acabam subindo ao palco e caindo na dança.
Não é situação de exceção: shows chiques e fechados costumam aprimorar a sobrevivência não só de Ben Jor, mas da maioria dos astros pop. Mas enfrentar situações de deslocamento como aquela é a tônica de 44 anos de carreira profissional do autor de Fio Maravilha e Taj Mahal.
Parceiro do artista quando ele se chamava Jorge Ben e cantava acompanhado pelo Trio Mocotó, entre 1969 e 1972, João Parahyba remonta o desconforto aos primórdios: “Ele já ficava meio deslocado em tocar Mas Que Nada no Beco das Garrafas (o templo da bossa nova em que Ben estreou, em 1963). O som moderno da época era o jazz, que não se encaixava bem na cabeça dele. Ele vivia muito com o pessoal do rock, Os Incríveis, Roberto e Erasmo”.
Das origens fala também Wilson Simoninha, filho de um amigo próximo de Jorge, o controverso Wilson Simonal, ídolo popular que caiu em desgraça sob acusações de ser colaborador do regime militar e em 1974 acabou perseguido e preso pelo mesmo regime.
“Roberto, Erasmo, Jorge, Simonal e Tim Maia eram todos caras periféricos, sem formação universitária, numa época em que a formação universitária era tudo. Sofreram bastante com isso, como também Elis Regina. Foram patrulhados e tiveram de aprender a lidar com isso. Todos foram em casa visitar meu pai quando ele voltou da prisão”, diz Simoninha.
“Jorge sempre foi presente. Talvez não ficasse tão próximo mais por culpa do meu pai, que carregava o receio de estar prejudicando pessoas de quem gostava”, continua. “Por muito tempo esqueci isso, mas, quando meu pai foi preso, Jorge foi o cara que ia em casa todos os dias para brincar comigo. Foi chocante para mim, com 8 anos, os policiais entrando em casa, a história no Jornal Nacional.”
No início dos anos 90, Simoninha se integrou à Banda do Zé Pretinho, de Jorge. E foi um dos articuladores de mais uma retomada, dessas que um amigo de décadas, Washington Olivetto, chama de “efeito Fênix”. O publicitário fala de Jorge: “Ele tem as mesmas maluquices que se creditam a Roberto Carlos e Tim Maia. Só faz o que quiser, na hora que quiser. É o único artista brasileiro que se relançou quatro vezes com o mesmo êxito. Ciclicamente, se reinventa, ou é reinventado”.
O triunfo, na ocasião, veio com a massificação do funk W/Brasil (Chama o Síndico), inspirado pela agência de propaganda de Olivetto. Os envolvidos garantem que W/Brasil não foi gestada por nenhum golpe de marketing. “A gente fazia muitos shows pelos subúrbios, que em São Paulo chamam de periferia, e todo mundo cantava. Foi pegando, saiu das ruas para o rádio”, descreve Ben Jor.
Mas, logo após a explosão, a carreira passou a ser administrada por Manoel Poladian, um dos mais vorazes empresários musicais do País. “Começou a trabalhar daquela forma conhecida, Jorge ganhando dinheiro a rodo, Poladian botando dinheiro a rodo”, afirma Simoninha.
Poladian rebate, por e-mail, a idéia de que a exploração do êxito de W/Brasil tenha exaurido a imagem do artista: “Só um leigo pode classificar de superexposição a execução de uma música de qualidade. Nenhum artista tem desgaste enquanto faz um bom trabalho”.
Olivetto focaliza outro aspecto: “Foi a partir daquele estouro que se solidificou o Jorge ‘cult’”. Abria-se, para o cantor, uma fase de inédita valorização da obra anterior. Mesmo sob desgaste, se consolidava, com uma geração de atraso, a compreensão da colossal originalidade de discos formadores da identidade musical brasileira, como Samba Esquema Novo (63), Força Bruta (70), Negro É Lindo (71), A Tábua de Esmeralda (74), África Brasil (76).
No ambiente musical, de Marisa Monte ao mangue bit, quase todos que então surgiam pediram a bênção, declararam influência, ocasionalmente clonaram o mestre. Na periferia paulistana, os Racionais MC’s surgiram sob nenhuma identificação com a música brasileira, a não ser a de Tim Maia e Jorge Ben. “Mano Brown escreveu para mim, analisando A Tábua de Esmeralda, letra por letra. O que ele faz é bom, honesto. Alguém tem de prestar atenção no que fazem, nas letras deles.”
Ao participar de um show dos Racionais no Sesc Itaquera, em 2004, conheceu os filhos de Brown, batizados em homenagem a ele e à esposa. “Fiquei emocionado quando conheci o Jorginho e a Domênica, naquele dia.” Por causa dele também se chama Jorge o filho recém-nascido do músico Max de Castro, outro filho de Simonal e quase-filho de Ben Jor.
Diz Max: “Ele foi se mantendo em altos e baixos. Voltou, sumiu, voltou. Sobreviveu a modas e movimentos, sempre na paralela. Tocou no Beco, mas não era da elite da bossa nova. O mesmo com a Jovem Guarda, a Tropicália, o samba-rock. Nos 90, até Chico Buarque começou a falar que Jorge Ben era demais. Foi uma redenção até para aquela geração, que teve esse descuido com ele”.
“Ele foi muito machucado, muita gente o menosprezou após o sucesso de Mas Que Nada”, concorda Simoninha.
“Durante muito tempo, foi um artista exilado no próprio país. Hoje mora em Miami, o que para mim é algo inaceitável”, diz João Parahyba. Max aborda o tema sob outro registro: “Jorge mora em Orlando, num condomínio onde moram atores de Hollywood. Vem para o Brasil só para fazer show. Um cara que todo mundo achava que era um mané, um louco, é o grande pop star brasileiro”.
O pop star volta à terra natal vez por outra, para cantar no Fasano ou prestigiar o lançamento de Recuerdos de Asunción 443, CD de raridades dos anos 80 que se encerra com uma única canção nova, Emo, em citação a uma das tribos roqueiras em voga, de adolescentes que adotam roupas pretas, maquiagens carregadas, rock pesado, mas emotivo, e muita melancolia. Parecem infelizes, mas são felizes/ (...) parecem ilegais, mas são legais, canta, ensaiando mais um deslocamento, o missionário de alegria, simpatia e balanço que, segundo alguns, nunca fez uma música triste.
Jorge desafia o clichê: “Eu sou um emo. Sou o tio emo”. Ora diz que dedicou o disco a jovens emo que são seus vizinhos, ora dá a entender que, pai dos jovens Tomás e Gabriel, convive com o imaginário emo sob o mesmo teto: “Eu via isso lá em casa. Em cinco minutos alguém ficava bravo, depois ficava triste, depois alegre...”
João Parahyba belisca o assunto ao tecer impressões sobre o ex-parceiro: “Tenho a impressão de que se tornou um cara muito reservado, retraído, fechado, com medo do que os outros vão falar dele. Talvez hoje seja um artista triste. Talvez se sinta deslocado musicalmente, entre mundos”. Inicialmente duro, o depoimento duro deságua em emocionada declaração: “Ainda gostaria de fazer um show com ele, ou uma música que seja, porque sempre gostei muito dele. Mas isso é a vida que vai realizar, ou não”.
Ao final da entrevista, Jorge se descontrai. Fala sobre os cachorros. “Bota aí os quatro, senão vão ficar com ciúmes. Pumpkin e Spring são da raça lhasa apso. Aí tem uma maltês, a Tessy, e um poodle, Tuca Calvin.” Fala sobre os filhos. “Não tem nenhum músico. Tomás se formou agora na Flórida, em business administration. Está mandando currículo, de férias, jogando golfe, que ele gosta muito (assim como o próprio Jorge). Gabriel está indeciso entre fazer (faz uma pausa, suspira) ciências políticas e jornalismo.”
E ele, gosta de política? “Não, sou apolítico”, responde o padrinho de um dos filhos de Roberto Carlos. “Faço meu dever cívico, dou meu voto, às vezes me arrependo.” Tem se arrependido recentemente? “Agora, por enquanto, não. Pensei que ia me arrepender, mas não. Mas gostaria que o dólar voltasse a valer um real. Os empresários não gostam, mas é bom para o povo”, divaga o criador de País Tropical, antes de partir rumo à madrugada.
29 de mai. de 2007
Mago da Musica Popular Moderna
Dj Jazz
dj jazz é dj e pesquisador musical
Jorge Ben (apenas Ben, porque Ben Jor não existe para mim) é uma das figuras mais importantes da musica popular brasileira. Sua discografia é cronologicamente uma viagem na nossa musica popular, desde a bossa nova, passando pela jovem guarda e o tropicalismo ate chegar à sofisticada musica pop dos anos 70.
Nossa viajem começa com um 78 rpm com as musicas "Mas que nada" e "Por causa de você menina". Sucesso absoluto, esta músicas trazem os arranjos do jovem João Teodoro Meirelles e seu grupo, os Copa 5, numa orquestração matadora dando ênfase ao violão negróide do Ben entre a pontuação dos metais.
Com sucesso imediato, Ben teve a oportunidade de gravar seu primeiro álbum, "Samba Esquema Novo", contando com um time de arranjadores, como JT Meirelles, Gaya e o Grupo Bossa Três. Em um estilo único, Jorge combinava letras extremamente simples a arranjos mais complexos, sempre destacando a batida de seu violão. Aliás, o violão de Jorge é um capitulo a parte: ninguém além do próprio Jorge e do Fritz (Trio Mocotó) consegue tocar o violão com a afinação de Jorge Ben. O motivo é que Jorge, vindo de uma família pobre, aprendeu a tocar violão com um método de banca de jornal e um violão de segunda mão, o que o obrigava a afinar o violão a sua maneira. Sem saber ele já estava inventando um estilo único, uma marca registrada, ao ponto de ao primeiro acorde de uma canção sua o ouvinte já identificar "essa batida é do Ben".
Seus quatro primeiros álbuns (Samba Esquema Novo, Sacundin Ben Samba, Ben é Samba Bom e Big Ben) são todos calcados no samba jazz ou como era chamado na década de 60 MPM (musica popular moderna). Apos esta fase bossa, Jorge passa a viver em São Paulo no final de 1966, onde tem contato com músicos da chamada Jovem Guarda como a dupla Roberto e Erasmo Carlos. Neste período o bairro do Brooklin em São Paulo é o reduto da boemia e dos grandes artistas da época e dessa nova experiência Jorge lança um disco fora do seu selo (Philips) em 1967: O Bidú - Silêncio No Brooklin, onde mistura a nova linguagem musical com seu samba, batizando carinhosamente seu som de Jovem samba. Neste disco Jorge vem acompanhado do Jorge Ben Trio, que mais tarde a seria renomeado como Trio Mocotó. Alem do balanço clássico do seu violão, instrumentos elétricos como órgão e o pandeiro fortíssimo de Nereu Gargalo marcam a pontuação rítmica do disco, numa visão mais fina do estilo popularizado por Roberto e Erasmo.
Ate ai Jorge ainda mantém alguns elementos da sua fase bossa, mas já demonstra que novamente iria transcender unindo o clássico ao popular com a mesma maestria, marcando o ritmo de uma forma genial, ao mesmo tempo em que empregava letras extremamente simples e de fácil apego popular a arranjos de orquestras bem complexos. Em 1969, sai o álbum homônimo "Jorge Ben", conhecido informalmente como Flamengão, devido ao desenho genial da capa, cortesia do artista Albery. A partir do Flamengão a coisa começa e pegar fogo. Neste disco Jorge conta com arranjos do Maestro Rogério Duprat, uma das pedras fundamentais do tropicalismo. Duprat uniu elementos de orquestras como cordas, ao balanço do violão do Bem e o derive rítmico do grupo de samba Originais do samba para criar verdadeiras obras de arte. Musicas como Barbarella e Take It Easy My Brother Charles (recentemente sampleada deu duo Drumagick) numa viajem alucinante pelo universo tropicalista. Neste Período as letras de Ben começam a ficar mais intelectuais, mas não perdem seu apego popular.
Em 1970 sai o álbum "Força Bruta", onde oficialmente aparece o nome Trio Mocotó, como acompanhantes. A partir desse álbum Jorge sai em turnê com o trio pelo mundo, chegando ate o Japão onde lançaram um álbum nunca editado no Brasil. De volta ao Brasil Jorge lança em 1971 o álbum Negro é lindo, uma fantástica viagem sobre a cultura negra marcada pelas orquestrações do lendário maestro Arthur Verocai. Deste álbum temos faixas incríveis como "Comanche" (apelido carinhoso de João Parahiba do Trio Mocotó) e "Porque é Proibido pisar na grama", sampleada pelos Racionais Mcs. Em 1972 sai o algum BEN, talvez o mais fraco de sua discografia com o nome Jorge Ben. Mesmo sendo um disco considerado fraco, nele está a versão original de Paz e Arroz, clássico repaginado recentemente pelo Clube do Balanço no revival do samba rock nos anos 2000.
Em 1973 Jorge não lançou nenhum álbum com faixas inéditas,apenas uma coletânia de seus maiores sucessos agrupados em pout pourri chamada 10 anos depois. Em 1974 Jorge quebra tudo mais uma vez ao lançar seu álbum "A Tábua de Esmeralda". Numa viajem sem limites ele escreve letras que falam de filosofia e alquimia misturadas ao cotidiano como futebol e mulheres. A tábua de Esmeralda é fantástica, desde a capa com seus desenhos incríveis do alquimista Flamel, num marco da música popular brasileira.
Em 1975 Jorge lança Solta o Pavão, seguindo a mesma temática do Tábua de Esmeralda, mas utilizando elementos da mitologia e astrologia. Solta o Pavão é como um folow up da Tábua de Esmeralda, uma olhada detalhada nas duas capas e a audição dos dois discos demonstram que um segue o outro. No mesmo ano Jorge lança um álbum duplo com Gilberto Gil, o Gil e Jorge. O álbum conta com dois violões poderosos (Gil e Jorge) um baixo e percussão, fundindo elementos afros a musica brasileira numa mistura única. Pra fechar em 1976 sai o álbum África Brasil, a primeira vez que Jorge troca o violão pela guitarra elétrica em um álbum, o que para muitos críticos foi a sua derrota musical. Polemica à parte em África Brasil Jorge conta com arranjos de Jose Roberto Bertrami (Azymuth) e um time de músicos da pesada entre eles os percussionistas Nene e o baterista Wilson das Neves. Nos anos citados, Jorge gravou outros álbuns no Brasil e no exterior, mas que não agregam muito a sua impecável trajetória. Fica impossível citar os compactos gravados e descrever seus papeis nas épocas citadas, entre os compactos mais famosos está o que inclui "Carolina Carol Bela", parceria de Jorge com Toquinho, que ficou mundialmente famosa apos ser sampleada por Marky e Xrs na sua LK.
Dizer qual o melhor álbum do Jorge Ben é uma tarefa impossível, cada disco, cada compacto dentro de sua conjuntura política, social e principalmente musical, tem um valor único, o que coloca Babulina (este é um dos muitos apelidos de Jorge Ben) num patamar único dentro da musica brasileira. Tente você caro leitor dizer qual é o melhor álbum de Jorge Ben, ou ainda qual sua melhor musica. Eu já ouvi todos os discos citados centenas de vezes, já pirei em cada capa dos seus álbuns e não cheguei a nenhuma conclusão, sua obra nos permite apenas afirmar que enquanto usou o nome Jorge Ben (antes do Ben Jor e da guitarra) Jorge foi um artista completo.
Para os djs e apreciadores do vinil uma boa pesquisa nos sebos garante o acesso a todos os álbuns citados por um preço razoável. Já para a galera digital, se consegue alguns álbuns em CD, remasterizados e com as capas originais também por ótimos preços. Só não aconselho as coletâneas, existe uma centena no mercado e milhares de musicas disponíveis na internet, mas desta forma não se consegue acompanhar suas fases, verificar as mudanças de um álbum para outro, não se tem uma linha cronológica ouvindo coletâneas. Então pegue todos os álbuns do Ben e boa audição, vocês não irão se arrepender.
Publicado em: www.eletronicbrasil.com.br
10 de abr. de 2007
Textos Sobre o Artista
Jorge Ben Jor lança disco com músicas inéditas que ficaram no porão da som livre (entre 1987/1986)- "Falsa Magra", "O Astro" (feita para novela homônima, mas ficou de fora da trilha), "Duas Mulheres", "Emo", Zenon Zenon" e "Mexe Gal" são algumas músicas que vão estar no disco que chega às lojas em abril, próximo ao dia 23 (dia de São Jorge).
Ler texto do O Globo
Ben Passado
Por Dj Paulão - Coluna Swing Brasil
Um ensaio detalhado sobre a vida e a obra de Jorge Ben, mostrando sua discografia completa e vários detalhes da produção de seus discos e temática de suas composições
(Imperdível)
http://www.farufyno.com.br/col_13.htm
Biografia: Enciclopédia da Música Brasileira
Art Editora e PubliFolha
http://www.mpbnet.com.br/musicos/jorge.ben.jor/